Ao som ensurdecedor do silêncio,
amenizada pelo odor da maresia
e pelos acordes melodiosos
da brisa nocturna,
vai lentamente caindo a noite.
Ah! A noite!
Ilusória, fascinante,
angustiante, deslumbrante...
num grito surdo,
ela faz despertar,
tantos sentimentos contraditórios,
complexos e dificeis de definir.
Noite dos neons... volátil,
que cria e transforma ilusões,
na mente dos eternos actores,
que pensam ter feito parar o tempo
e que assim ganharam o poder
de fazer regredir a idade!
Noite escura e fria...
que enfada, angustia e envolve,
todos os que se dão por vencidos
e todos os que são visitados,
pela dor, pelo esquecimento, pela solidão,
pelo tormento das horas vazias.
Noite obscura...
que no turbilhão das horas perdidas
nos antros infectos do vicio,
acorrenta almas ás redes de uma vida
sufocada, retalhada, desventrada,
perdida dos sonhos,
que foram um dia mas já não são!
Noite magica, serena...
coroada de estrelas,
que esconde gestos e afagos,
de amor inteiro e repartido.
Que num abraço gostoso
e num sopro envolvente,
premeia alguns seres...
Amantes, amigos,
sonhadores, musas, poetas...
todos os que amam incondicionalmente,
os de mente aberta e de coração puro,
os que fazem dela a vontade eterna,
de permanecer no sonho...
E se para uns a noite
é demasiado longa,
para outros será breve segundo,
para os restantes ela pode ser...
Eternidade!
A.A.A.